segunda-feira, 21 de novembro de 2011
sábado, 19 de novembro de 2011
O Estado da Minha Gaveta

Poderá existir algo mais vazio
que a gaveta onde costumavas
guardar o teu ópio?
Algo como uma mulher de olhos negros
convertida em margarida vulgar no
meu belo armário de cozinha.
que a gaveta onde costumavas
guardar o teu ópio?
Algo como uma mulher de olhos negros
convertida em margarida vulgar no
meu belo armário de cozinha.
Como um nariz sem narinas
é a minha gaveta nua de madeira.
Como uma cesta sem ovos
ou uma lagoa sem tartarugas.
A minha mão explorou como um rato
essa gaveta numa experiência labiríntica.
Leitor, posso afirmar-te com toda a segurança
que não existe gaveta mais vazia em toda a cristandade!
Leonard Cohen (Novembro de 1968)
é a minha gaveta nua de madeira.
Como uma cesta sem ovos
ou uma lagoa sem tartarugas.
A minha mão explorou como um rato
essa gaveta numa experiência labiríntica.
Leitor, posso afirmar-te com toda a segurança
que não existe gaveta mais vazia em toda a cristandade!
Leonard Cohen (Novembro de 1968)
sábado, 1 de outubro de 2011
Não Estou Pensando em Nada

Não estou pensando em nada.
E essa coisa central, que é coisa nenhuma,
É-me agradável como o ar da noite,
Fresco em contraste com o verão quente do dia.
Não estou pensando em nada, e que bom!
Pensar em nada
É ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
É viver intimamente
O fluxo e o refluxo da vida...
Não estou pensando em nada, e que bom!
Pensar em nada
É ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
É viver intimamente
O fluxo e o refluxo da vida...
Não estou pensando em nada.
É como se me tivesse encostado mal.
Uma dor nas costas, ou num lado das costas,
Há um amargo de boca na minha alma:
É que, no fim de contas,
Não estou pensando em nada,
Mas realmente em nada,
Em nada...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Dream Baby Dream
"Sunrise - A Song of Two Humans" de FW Murnau
quarta-feira, 1 de junho de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
sábado, 19 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
(...)

Hoje, também os carros dançam. As casas movem-se lentamente. E eu - que mudei de casa e de roupa, de cidade e de cama, de palavras...
Eu, que mudei de música, de carro, de saudade, de quarto...
Eu - que mudei de computador e de rua, de eternidade e de paisagem, de abraço e de clima...Eu, que mudei de língua e de lágrimas, de deus e de caderno, de crenças e de céu...Eu - que mudei de lume, que mudei de medos...Eu - que mudei de planos, de lençóis, de secretária...
Eu, que mudei de óculos e de rumo, de amigos, de champô, de rituais e de supermercado...Eu - que mudei de tudo que em quase nada mudou, mudei de mim para dentro de ti, meu amor.
(Filipa Leal in Talvez os Lírios Compreendam)
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