sábado, 5 de fevereiro de 2011

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Hoje, também os carros dançam. As casas movem-se lentamente. E eu - que mudei de casa e de roupa, de cidade e de cama, de palavras...
Eu, que mudei de música, de carro, de saudade, de quarto...
Eu - que mudei de computador e de rua, de eternidade e de paisagem, de abraço e de clima...Eu, que mudei de língua e de lágrimas, de deus e de caderno, de crenças e de céu...Eu - que mudei de lume, que mudei de medos...Eu - que mudei de planos, de lençóis, de secretária...
Eu, que mudei de óculos e de rumo, de amigos, de champô, de rituais e de supermercado...Eu - que mudei de tudo que em quase nada mudou, mudei de mim para dentro de ti, meu amor.

(Filipa Leal in Talvez os Lírios Compreendam)