segunda-feira, 29 de novembro de 2010
domingo, 28 de novembro de 2010
Agora Que Te Encontrei

Incido a minha imagem,
no espelho do teu sorriso
e observo vacilar dentro,
As ondas que irradiam
no tempo e no espaço.
Nos seus confins
por ventura imaginários
reúnem-se as estrelas,
Sobre as frágeis malhas
dos meus sonhos, misteriosa
linguagem onde harmonizam
o mar o céu e a terra.
E agora que te vi reluzir
como a última estrela,
quero adormecer no seio
do mar,
Coberto pela eterna
roupagem das folhas,
com a coragem de sonhar
e de te amar.
sábado, 27 de novembro de 2010
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Terei Eu

Terei eu todo o folêgo,
de que preciso, debaixo das
nuvens, para reclamar
o meu amor às estrelas ?
Terei eu todos os anos
para experimentar as emoções,
inteiras, que o teu primeiro
sorriso em mim fez nascer ?
Estremeço com o pensamento
de não ser digno, nem mesmo,
de pensar em ti.
Mas tu, Amor, não acabarás mais ?
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Sonic Youth - Superstar
Cover do original dos The Carpenters
domingo, 21 de novembro de 2010
Coração d' Outono

A calma onde caminho,
está a apodrecer nas folhas
que a abraçam.
Movimentados pelo vento
os meus membros absorvem
o sumo do Outono,
E o fogo aveludado, da alma
que alimenta o tempo.
Coração que queimou,
que o avisto ainda,
desfeito em terra
no fogo que cujo se libertou.
Posso recolhê-lo e elevá-lo
nos braços e perguntar,
Como foi cortada a lenha ?
Como disposeram os cepos ?
E como a acenderam ?
Recontarão as chamas,
tudo do princípio ao fim
na luz que o amanheceu,
da solidão que as acendeu.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Corpo Envolto

Perdi o meu olhar,
no pensamento
que dos teus olhos sai,
fogo que em mim despertas
e me secas,
nas tuas mãos,
calor forjado
no covil húmido
do teu ventre
que não mente
que sente,
tesão eu,
no teu corpo envolto,
sem nãos.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Voo de Pardais

Fugiu de mim um pensamento
ligado a um movimento
desalinhado, manifestado,
em todo o meu desalento.
No rosto d'um papel branco
tentei prendê-lo, em tinta que chovia
da pena que no meus dedos sentia.
Lutam pena e negra tinta,
contra com o meu pensamento,
imenso sem o seu consentimento,
mas quero que a gentileza ele sinta.
Num ponto negro sem fundo,
do meu pensamento, que não vejo,
mas sinto, um buraco que se precipita,
no tormento sem ter a força de o escrever.
Reflexo ou inspiração, apenas de cabeça
para baixo e solto no voo de pardais,
como se vivesse num binóculo entre
uma lente e outra, entre duas lágrimas iguais.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Ritmo louco (Swing Time)
Fred Astaire & Ginger Rogers (1936)
domingo, 14 de novembro de 2010
Sonho Contigo

Às vezes sonho contigo, que me sorris, que me dás a mão, caminhas em ponta dos pés sobre as arcadas do meu coração.
A energia estelar que emana dos teus olhos, ora são flores, ora são anjos, que protegem a minha vida, arrebatem as minhas fraquezas, fortificam-me nas minhas tantas incertezas.
Assim o teu amor posso eu sentir, que d'um céu sem forma nasce e que num céu sem forma vive, que por o nosso amor deseja luzir.
É uma magia que resplandece
no silêncio e que me fascina,
que me liga a ti indissoluvelmente.
Outras estás longe e indiferente.
sábado, 13 de novembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Palavras que Emudecem

Quando as palavras,
são pequenos fogos,
quando dentro delas,
qualquer coisa queima,
e não podem dizer,
o que conseguem dizer.
Apagam-se.
Em frente de quem
as sente, mentem-se,
nas respostas que não são,
o que sentem, extinguem-se.
Dizem de mais,
dizem demasiado,
dizem as falas,
que não dizem nada,
que não servem para nada,
que pesam o dobro,
sangram o dobro.
Suicidam-se.
O único desejo das que sobrevivem,
é ferir, abrigadas no alívio cinzento
da dor das que ainda ardem,
Enlouquecem.
Existindo nesta forma para
se sentirem melhor, emudecem.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Conheço o Sal

Conheço o sal da tua pele seca
depois que o estio se volveu inverno
da carne repousando em suor nocturno.
Conheço o sal do leite que bebemos
quando das bocas se estreitavam lábios
e o coração no sexo palpitava.
Conheço o sal dos teus cabelos negros
ou louros ou cinzentos que se enrolam
neste dormir de brilhos azulados.
Conheço o sal que resta em minha mãos
como nas praias o perfume fica
quando a maré desceu e se retrai.
Conheço o sal da tua boca, o sal
da tua língua, o sal de teus mamilos,
e o da cintura se encurvando de ancas.
A todo o sal conheço que é só teu,
ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,
um cristalino pó de amantes enlaçados.
Jorge de Sena (1919 -1978)
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Eremitério

mais nada se move em cima
do papel nenhum olho de tinta
iridescente pressagia o destino
deste corpo os dedos cintilam
no húmus da terra
e eu
indiferente à sonolência
da língua ouço o eco do amor
há muito soterrado encosto
a cabeça na luz e tudo esqueço
no interior dessa ânfora alucinada desço com a lentidão ruiva das feras ao nervo onde a boca procura o sul e os lugares dantes povoados
ah meu amigo
demoraste tanto a voltar
dessa viagem o mar subiu
ao degrau das manhãs idosas
inundou o corpo quebrado
pela serena desilusão
assim me habituei a morrer sem ti
com uma esferográfica cravada no coração
Al Berto (1948-1997)
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Estrelas de Papel

Estive no meio de um oceano,
onde voavam estrelas de papel
com riscas do arco-íris, presas,
em flocos de espuma como cordel.
Senti a tua voz chamar-me,
em voz baixa, o meu nome,
no assobio melodioso do vento.
Que no meio naquele maravilhoso,
oceano quis abraçar-me.
Colhi-a num sorriso que nasceu
da semente do teu murmurar no mar plantada, que permanece agora,
no rasto das estrelas de papel tatuada.
domingo, 7 de novembro de 2010
No Meu Entardecer

Foste chegando no seu tardar,
já o dia esmorecia, para dar
lugar à noite, futuro que
do teu rosto não mais fugia
na linha do meu horizonte.
Na filigrana leve do teu olhar,
vi que eras o destino de todas
as palavras que na vida pronunciei.
Caminhos que os meus passos
traçaram, até à trama final do imenso labirinto, onde deslumbrei, a luz imensa para te encontrar.
Não te mexias, a minha mão enterneceu na tua, chamei-te pelo nome, esperei-te, tu já o sabias.
sábado, 6 de novembro de 2010
La Figa

La figa è una ragnatela,
un imbuto di seta,
il cuore di tutti i fiori.
La figa è una porta
per andare chissà dove.
O una muraglia che devi buttar giù.
Ci sono delle fighe allegre
e delle fighe matte del tutto,
delle fighe larghe e strette.
Quelle che sbadigliano e non dicono una parola
neanche se l'ammazzi.
La figa è una montagna bianca,
bianca di zucchero.
Una foresta...dove passano i lupi.
E' la carrozza che tira i cavalli.
La figa è una balena vuota
piena di aria nera e di lucciole.
E' la tasca dell'uccello,
la sua cuffia da notte,
un forno...che brucia tutto.
La figa quando è l'ora,
è la faccia del Signore.
La sua bocca.
E' dalla figa che venuto fuori il mondo,
con gli alberi, le nuvole e anche il mare.
E gli uomini, uno alla volta. Di tutte le razze.
E dalla figa...è venuta fuori anche la figa
Ostia la figa!
(Tonino Guerra)
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Mulher de Areia

Grãos de fina areia loira, ténue
risca estendida da bolsa azul
de um céu descosida, caídos,
no início e fim de um sorriso
pela recordação moídos.
Um sussuro ajoelha-se na areia,
a construir grandes castelos
como o sol, pequenas mãos,
belos instrumentos singelos.
Recordação que no castelo vive,
encalhada na areia, que a primeira
onda da noite abaterá, num bafejo
que da vida saboreia.
O caos dos mortos no primor
de um castelo, com o sol fechado
na areia, que rasga as vestes
do sorriso com rumor.
A morte é o sorriso de tudo,
somente um fantasma no castelo
guerreia, uma mulher de areia perfeita,
pela primeira onda da manhã desfeita.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Sal do Corpo

No sal do teu mar quero
afundar o meu prazer,
dessedentar a minha boca,
refrescar a minha fome.
Mar sereno em mar revolto,
marés nos braços onde nado,
mel salgado, que me nutre,
das tuas pernas escorre
em suspiros envolto.
Segredos de doces melodias
do teu olhar se revelam,
que o grande cálix consolam,
divino néctar, preciosa jóia
onde, tu loucura mordias.
Na imensa curva da lua,
dois corpos abandonados,
num céu incerto, pela volúpia
alimentados.
Nos lábios, acenos num sorriso,
só nosso, para sempre indiviso.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Lágrimas que Soltas

Fragmentos de alma e de vida
que permanecem suspensos
nos ventos da indiferença
como uma dança melancólica
que se dispersa a cada nota sentida.
Desvendas em lágrimas a esperança
que despes, pregos da nossa cruz,
desgostos, amarguras, sonhos,
que ao amanhecer morrem
com o latejar do nascer do sol.
Que fazer senão sobreviver,
a estes fogos a estas cinzas,
no recital dos anos que continuam,
a nascer e morrer cada dia sem piedade.
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