quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Mulher de Areia


Grãos de fina areia loira, ténue
risca estendida da bolsa azul
de um céu descosida, caídos,
no início e fim de um sorriso
pela recordação moídos.

Um sussuro ajoelha-se na areia,
a construir grandes castelos
como o sol, pequenas mãos,
belos instrumentos singelos.

Recordação que no castelo vive,
encalhada na areia, que a primeira
onda da noite abaterá, num bafejo
que da vida saboreia.

O caos dos mortos no primor
de um castelo, com o sol fechado
na areia, que rasga as vestes
do sorriso com rumor.

A morte é o sorriso de tudo,
somente um fantasma no castelo
guerreia, uma mulher de areia perfeita,
pela primeira onda da manhã desfeita.