domingo, 12 de dezembro de 2010

Sonho Adentro


Viajo nos pés de um sonho,
virado de pernas para o ar,
que brilha num pequeno canto
do tempo,

Avisto uma lua suspensa,
entre céus, assim se calhar
um céu branco aberto,
para detectar vida no meu interior,

Sinto no voo que me persegue,
uma brisa de nada que com golpes, abre este céu em tarde, noite
e manhã, que se agita sem um grito,

Corpo despido na sua carne tenra,
bebido por misteriosas águas,
murmuradas do passado, devagar,
pelos vastos salões da memória,
na linha do horizonte que recua.

Brincam folhas secas de estrelas
em ramos estéreis, nas franjas
deste sonho, quando todo
o universo se apaga.