quarta-feira, 29 de setembro de 2010

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"Habitantes que avançavam uns para os outros de lábios entreabertos, de lábios secos e quentes, de lábios famintos, de lábios trémulos que suplicavam, ganiam e rogavam, que mordiam e maceravam outros lábios. E sóbrios, também todos eles. Perfeitamente sóbrios. Na verdade excessivamente sóbrios. Sóbrios como criminosos prestes a fazer um "trabalho". A convergirem todos uns para os outros numa emorme e rodopiante forma de bolo, com as luzes coloridas a brincar-lhes nas caras, nos bustos e nos quadris, a cortá-los em fitas nas quais se emaranhavam e entreteciam, mas de que conseguiam sempre libertar-se habilmente enquanto rodopiavam, corpo a corpo, face contra face, lábios contra lábios."